Lula ocupa centro da tática de Jerônimo e ACM Neto na reta final de campanha.
Presidente Lula ocupa eixo central das duas principais campanhas ao governo da Bahia, seja por alinhamento direto, caso de Jerônimo Rodrigues, ou por casadinha velada, tática de ACM Neto.
A reta final da eleição para o governo da Bahia deverá ser marcada por uma disputa que vai além de ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT). O presidente Lula (PT) tornou-se uma peça importante na estratégia dos dois candidatos, mas cada campanha tenta utilizá-lo de uma maneira diferente. Enquanto Jerônimo trabalha para transformar a forte identificação do eleitorado baiano com Lula em voto casado para o PT, Neto procura justamente evitar que essa associação impeça sua aproximação com o eleitor lulista.
A estratégia de ACM Neto parte de uma constatação política: atacar diretamente Lula poderia dificultar sua busca por votos entre eleitores que pretendem o petista para a Presidência. Ainda mais porque a Bahia é um dos mais fortes redutos lulistas. Por isso, o candidato do União Brasil tem concentrado suas críticas em Jerônimo e no governo estadual.
A intenção é clara: evitar que a eleição baiana se torne em um confronto direto com o presidente. A estratégia se baseia no chamado “voto Lula-Neto” - o eleitor que vota no PT para presidente e nele para governador. Prova disso é a quantidade de material apócrifo distribuído no interior em que ambos aparecem juntos como se fossem bons e velhos aliados. O mesmo fenômeno já foi identificado na sucessão de 2022, quando Neto foi derrotado por Jerônimo, mas obteve expressiva votação entre os leitores que optaram pelo atual presidente nas urnas.
Fora de mira
Essa escolha também se reflete no tom da campanha. Enquanto a propaganda de Neto aposta na ideia de mudança e em sua experiência administrativa, as peças mais recentes miram problemas do estado, especialmente nas áreas de segurança pública e saúde, sem colocar Lula no centro da disputa. E tudo indica que essa rota não será alterada.
A agenda territorial também faz parte da estratégia eleitoral de Neto. De 16 de agosto, início oficial da campanha, até o último dia 22, o ex-prefeito de Salvador havia passado por 57 municípios, especialmente, os que fazem parte da lista de 40 maiores colégios eleitorais, foco principal de Neto na campanha de 2026.
Ponte para o voto estadual
Já o governador Jerônimo Rodrigues segue caminho oposto. Para ele, Lula não aparece apenas como aliado político, mas como parte da própria narrativa eleitoral. Desde o início da propaganda, a campanha do petista apresenta as gestões do partido na Bahia como parte de uma trajetória política ligada à chegada de Lula à Presidência e aos investimentos realizados pelos governos estadual e federal na Bahia.
A estratégia deverá ganhar intensidade na reta final. Lula já esteve na Bahia para reforçar a campanha de Jerônimo, e a presença presidencial é utilizada para tentar consolidar o chamado voto casado. A tática tem como pano de fundo a tentativa de nacionalizar a eleição estadual e conter justamente o crescimento do “voto Lula-Neto”.
Rua e TV
Jerônimo combina essa associação nacional com uma atuação territorial mais espalhada pelo estado. Desde o início da campanha, o governador já levou sua caravana por quase 70 municípios baianos, incluindo a capital. A agenda inclui cidades grandes, médias e pequenas cidades, ampliando a presença em diferentes regiões e reforçando sua atuação junto às bases políticas locais.
Na televisão, entretanto, o governador procura não ficar restrito à imagem de candidato de Lula. A propaganda passou a alternar a defesa do legado petista com propostas próprias, como a expansão do ensino em tempo integral e investimentos em áreas como saúde e segurança.
Batalha em duas vias
O contraste entre as duas campanhas está, portanto, na forma como cada uma mobiliza a imagem de Lula. Jerônimo busca transformar a identificação com o presidente em apoio à sua candidatura; Neto, por sua vez, tenta convencer o eleitor de que é possível manter o apoio a Lula na disputa nacional e fazer uma escolha diferente para o governo da Bahia.
É uma disputa particularmente relevante, porque o eleitorado baiano apresenta espaço para essa combinação. A força eleitoral de Lula no estado não significa necessariamente fidelidade automática ao candidato petista ao governo. A tentativa de Neto de preservar o voto cruzado e a ofensiva de Jerônimo para transformá-lo em voto casado mostram que, na reta final, uma parte decisiva da batalha poderá ocorrer justamente entre essas duas possibilidades.
Fonte: Metro 1
Foto: Reprodução

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