Alcolumbre vai barrar nova possibilidade de criação de CPI do Master no Congresso
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve barrar nesta quinta-feira (21), mais uma vez, a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista para investigar as fraudes do Banco Master. A avaliação é compartilhada por parlamentares de esquerda, da direita e do centrão.
Atualmente, há dois pedidos de abertura de CPIs mistas com as assinaturas necessárias. O regimento prevê que a abertura desse tipo de comissão seja automática na próxima sessão conjunta do Congresso após o requerimento atingir o apoio de 27 senadores e 171 deputados.
Como há uma sessão do Congresso convocada para esta quinta para análise de vetos do presidente Lula (PT) à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, Alcolumbre deveria ler um dos requerimentos de abertura de CPI no início da reunião. Mas a expectativa é que ele novamente ignore a existência dos pedidos.
A base governista e a oposição conseguiram, cada uma, protocolar seu pedido de CPI mista. Lideranças de ambos os lados devem cobrar Alcolumbre em plenário pela abertura. Nos bastidores, os parlamentares admitem o jogo de cena, pois não seria do interesse de ninguém a instalação do colegiado.
Pelo lado do governo, há o temor com a máxima de que "uma CPI se sabe como começa, mas não como termina". Entre os adversários do Planalto, o receio é com a recente revelação da relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
"O escândalo do Banco Master tem digitais do bolsonarismo do começo ao fim. [...] Nós defendemos a CPI para investigar e chegar em todos os envolvidos", afirmou o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), após o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro ser revelado, no último dia 13.
A pré-campanha de Flávio aposta justamente no pedido de abertura de CPI mista para reverter o desgaste dos áudios com Vorcaro. A ideia é mostrar distanciamento em relação ao banqueiro e passar a imagem de que Flávio é favorável a investigações que revelem quem teria ajudado o Banco Master nas fraudes.
Na última sessão do Congresso, realizada no final de abril, a oposição construiu um acordo com Alcolumbre. O senador pautou a derrubada do veto ao projeto da dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pela trama golpista com redução de penas. Em troca, bolsonaristas não cobraram a abertura da CPI mista.
Agora, a oposição diz que mudará de postura e deve cobrar Alcolumbre em plenário. O governo também. Ambos os lados acreditam que Alcolumbre vai "matar no peito" e ignorar os pedidos, lidando sozinho com o desgaste público, pois também não seria de interesse do senador a abertura do colegiado.
O parlamentar é padrinho político de Jocildo Silva Lemos, que presidiu a Amprev (Amapá Previdência). Ele foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) que investiga aportes suspeitos de R$ 400 milhões no Banco Master.
Parte da oposição lembra ainda de um "trauma". No início do governo Lula, em 2023, o grupo conseguiu a abertura de uma CPI mista sobre os ataques do 8 de Janeiro. O Planalto, que no início era contra, decidiu apoiar e conquistou a maioria no colegiado, que por fim acabou mirando mais os bolsonaristas.
Fonte: Política Livre
Foto: Reprodução

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