[Opinião] O Movimento de ACM Neto com Zé Cocá que tirou o governo do eixo
A reação do governador Jerônimo Rodrigues e de lideranças do seu grupo político ao anúncio de Zé Cocá como vice na chapa de ACM Neto escancarou o que o discurso oficial tenta esconder, o governo não está tão confortável quanto diz.
De um lado, repetem como mantra que possuem o apoio de quase 400 prefeitos. De outro, entram em estado de irritação quando um único nome decide sair da fila e escolher outro caminho.
Se a base fosse realmente sólida, não haveria nervosismo.
A verdade é mais dura, não é sobre quantidade, é sobre densidade eleitoral.
E há uma contradição impossível de ignorar. Antes de anunciar sua posição, Zé Cocá foi intensamente cortejado pelo próprio grupo governista. Houve convite para que integrasse a chapa como vice, assim como também ocorreu com Zé Ronaldo. Era tratado como liderança qualificada, estratégica, desejada.
Agora, de uma hora para outra, virou traidor, virou alguém que não presta.
A pergunta que desmonta esse discurso é simples, ele deixou de prestar ou apenas deixou de servir?
Esse tipo de comportamento revela mais sobre quem ataca do que sobre quem é atacado. Mostra insegurança, perda de controle e dificuldade de lidar com a realidade política quando ela não obedece ao roteiro.
Porque o problema nunca foi Zé Cocá. O problema é o peso político que ele carrega.
Zé Cocá não é figurante. É um dos prefeitos mais bem avaliados do estado, com influência real no interior e capacidade de transferir voto. Sua decisão não é simbólica, é estrutural.
E isso expõe uma fragilidade que o governo tenta esconder atrás de números inflados, apoio político não é sinônimo de voto.
Há prefeitos na base governista que hoje não conseguem sustentar nem a própria popularidade. O caso de Luiz Caetano, em Camaçari, é o retrato desse desgaste, uma gestão marcada por críticas constantes nas áreas de educação, saúde e social, além de conflitos políticos e derrotas sucessivas no ambiente local.
E aqui está o ponto que mais incomoda o governo.
Camaçari caminha para se tornar um símbolo de derrota. Existe uma possibilidade concreta de Jerônimo Rodrigues e Luiz Caetano serem derrotados politicamente no município por ACM Neto e pela força do grupo liderado por Elinaldo Araújo.
Se isso acontecer, não será apenas uma derrota local. Será um recado direto, apoio de prefeito não garante voto, muito menos vitória.
E esse cenário não é isolado. Em diversas cidades da Bahia, prefeitos alinhados ao governo enfrentam desgaste, perda de popularidade e dificuldade de entregar resultado.
O eleitor está mais exigente. Não vota mais por alinhamento automático. Avalia, compara e decide.
E é exatamente aí que o jogo muda.
O movimento de ACM Neto ao escolher Zé Cocá mostra que há leitura política. Mostra que entendeu o erro de 2022 e decidiu corrigir a rota, ampliando sua presença no interior e se cercando de lideranças com densidade eleitoral real.
Enquanto isso, o governo reage com ataques, o que só reforça a percepção de fragilidade.
No fim, a eleição não será decidida por quem tem mais prefeitos na lista.
Será decidida por quem tem voto de verdade.
E hoje, pelo comportamento das peças no tabuleiro, ACM Neto não apenas cresce, ele ocupa espaço, enquanto o governo tenta explicar por que está perdendo terreno.
*Anderson Santos, articulador político
Fonte: Site Bahia Sem Fronteiras
Foto: Reprodução

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