GUERRA PODE CAUSAR A MAIOR CRISE DE PETRÓLEO DA HISTÓRIA, DIZ ESPECIALISTA

 




A guerra de EUA e Israel contra o Irã está rapidamente se transformando em uma crise energética mundial, à medida que o fechamento de fato do Estreito de Ormuz força os principais produtores de petróleo a começar a cortar a produção. As sementes da crise remontam ao fim da década de 1970, quando trabalhadores do setor petrolífero iraniano entraram em greve e a revolução instaurou a República Islâmica, escreveu Daniel Yergin, vice-presidente do S&P Global e autor de The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power, em um artigo de opinião publicado no Financial Times neste fim de semana.


“Um dos legados de tudo isso tem sido o cenário de pesadelo de o petróleo que flui pelo Golfo ser interrompido por uma guerra prolongada e destrutiva”, acrescentou. “O temor? Que isso resulte em uma disparada dos preços de energia que leve a economia mundial a despencar para uma recessão profunda. Desde que a guerra com o Irã começou há uma semana, Teerã tem feito tudo o que pode para transformar isso em realidade.”


De fato, os preços do petróleo bruto dispararam 36% na última semana, à medida que os ataques do Irã a navios no Estreito de Ormuz — por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo — praticamente fecharam a estreita via marítima. Com os principais produtores de petróleo do Golfo Pérsico incapazes de exportar seu petróleo bruto, eles começaram a bombear menos, já que a capacidade de armazenamento já se esgotou.


O Iraque reduziu a produção em 60%, para algo entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de barris por dia, ante cerca de 4,3 milhões de barris por dia antes da guerra. Kuwait e Emirados Árabes Unidos também diminuíram a produção.


Enquanto isso, o mercado de GNL sofreu um choque, já que o Catar foi obrigado a reduzir o ritmo da produção. Yergin destacou que os preços à vista na Ásia, que depende fortemente de GNL, quase dobraram desde o início da guerra, enquanto os preços do gás natural na Europa subiram cerca de 50%. “Mas o cenário mais difícil seria um dano severo à infraestrutura e um fechamento prolongado do estreito”, disse ele. “Isso alimentaria temores de déficits de oferta de longo prazo.”


O Irã já começou a mirar a infraestrutura petrolífera de seus vizinhos do Golfo, embora sistemas de defesa aérea tenham evitado danos graves até agora. Ao mesmo tempo, ataques aéreos dos EUA e de Israel atingiram uma grande refinaria perto de Teerã que fornece combustível para a economia civil e para as forças armadas.


É verdade que a economia global é muito diferente do que era durante as crises do petróleo da década de 1970, com uma revolução tecnológica no setor transformando os EUA em uma potência energética, enquanto os principais países importadores de energia se tornaram mais resilientes, observou Yergin. “Neste momento, o mundo enfrenta a maior interrupção na produção de petróleo da história, bem como um choque significativo nos mercados globais de gás. A principal questão para os mercados globais de energia agora é a duração dessa guerra explosiva”, afirmou.


Até agora, EUA e Irã não deram sinais de recuar. O presidente Donald Trump exigiu “rendição incondicional” e quer ter voz sobre quem será o próximo líder supremo do Irã. O Irã prometeu continuar lutando enquanto amplia seus alvos para incluir infraestrutura civil, como usinas de dessalinização que fornecem a maior parte do abastecimento de água do Golfo.


Wall Street também não está convencida de que Trump consiga restaurar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Ele anunciou um programa de resseguro de US$ 20 bilhões para petroleiros e disse que a Marinha dos EUA escoltará os navios pelo estreito, se necessário. Mas os EUA e seus aliados do Golfo têm tido dificuldades para derrubar os drones Shahed do Irã, que já atingiram vários alvos militares importantes.


“Tentar proteger tantos navios é um enorme desafio logístico”, escreveu Robin Brooks, pesquisador sênior do Brookings Institution, em uma nota publicada no Substack na sexta-feira. “Tudo o que o Irã precisa fazer é conseguir passar com alguns drones para explodir um navio, e passaremos do que hoje é um incidente muito sério para um choque gigantesco no petróleo. Em resumo, não acho que as garantias dos EUA de escolta naval sejam tão críveis assim. Há simplesmente petroleiros demais que precisam ser protegidos.” (Infomoney)



Fonte: Bahia Econômica 

Foto: Reprodução 

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