Conselho de Segurança da ONU tem sido omisso na busca por soluções de conflitos’, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) neste domingo, 22, ao sustentar que o órgão tem sido omisso na busca por soluções de conflitos.
Lula iniciou seu discurso na sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro (COP15) de Espécies Migratórias da ONU, em Campo Grande (MS), dizendo que o evento faz todos lembrarem que migrar é natural. “A natureza não conhece limites entre Estados. A onça-pintada movimenta-se por quase todo o território preservado das Américas em busca de áreas para caçar e se reproduzir com segurança. Como ela, todos os anos, milhões de aves, mamíferos, répteis, peixes e até insetos atravessam continentes e oceanos”, exemplificou.
“Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando regra”, criticou, sem mencionar países. Ele lembrou que, nos seus 80 anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola e na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes. “Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, criticou.
O titular do Palácio do Planalto seguiu dizendo que “um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”. Por fim, ele defendeu, como vem fazendo em eventos internacionais, o multilateralismo.
“A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de política de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, finalizou.
Este foi o segundo discurso do presidente da República crítico à ONU neste fim de semana. No sábado, 21, ao participar do Fórum Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)-África, realizado em Bogotá, na Colômbia, Lula se disse “indignado com a passividade dos membros do Conselho de Segurança” da ONU por não serem capazes de acabar com as guerras.
“O que estamos assistindo no mundo da falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz (nesse momento, Lula bateu na mesa). E são eles que estão fazendo as guerras! E quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?”, questionou o presidente.
A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) é realizada pela primeira vez no Brasil, em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março de 2026. O Brasil exerce a presidência da conferência pela primeira vez.
Acompanharam o presidente na sessão de abertura os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e as ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Também estava presente o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), além de outras autoridades locais.
Antes da sessão, Lula teve reunião bilateral com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também participou na sessão. Diferente de Lula, Peña não teceu comentários sobre política internacional.
Lula também aproveitou o evento para voltar a criticar o ex-governo Jair Bolsonaro (PL) pelas políticas na área ambiental, dizendo que a imagem do País na área ambiental estava sendo questionada internacionalmente.
“Até há pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”, disse Lula. “Desde 2023, escolhemos trilhar um novo caminho, guiados pela convicção de que conservar e produzir de forma sustentável não apenas é possível, mas é necessário. Reconstruímos o arcabouço institucional e as políticas ambientais que haviam sido desmontadas”, prosseguiu o presidente.
Lula elencou resultados do governo na área. “O desmatamento na Amazônia caiu pela metade. No Cerrado, a queda foi de mais de 30%. Reduzimos as queimadas no Pantanal em mais de 90%”, citou. Ele ainda mencionou ações internacionais: “Recolocamos o Brasil no mapa dos esforços multilaterais para o meio ambiente. Presidimos e sediamos a COP30 do clima. Lançamos o fundo floresta tropical para sempre e a colisão de mercados de carbono. Como anfitriões, nas cúpulas do G20 e dos BRICS em 2025, colocamos o desenvolvimento justo e sustentável no centro das discussões”.
A respeito do tema da conferência em si, Lula defendeu que a sobrevivência das espécies migratórias depende de ação coletiva e sustentou que não haverá prosperidade duradoura na América Latina sem a proteção da biodiversidade da região.
“A mudança do clima, a poluição das águas, o extrativismo e as obras de infraestrutura sem planejamento adequado são desafios crescentes. Passadas quase cinco décadas, é natural que a Convenção precise se atualizar”, defendeu.
Lula disse ainda que a presidência brasileira da COP15 tem três prioridades. “Primeira, dialogar com os princípios consagrados pelas Convenções do Clima e da Identificação e da Biodiversidade, como as responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Segunda, trabalhar para ampliar e mobilizar recursos financeiros, criar fundos e mecanismos multilaterais inovadores, principalmente para os países em desenvolvimento. Terceira, universalizar. A Declaração do Pantanal, que adotamos hoje, propõe que mais países se envolvam de maneira eficaz na proteção das espécies e das rotas migratórias.”
Fonte: Política Livre
Foto: Reprodução

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