Lula dá largada para eleição com base mobilizada e discurso contra privilégios

 




O presidente Lula (PT) vai dar uma espécie de pontapé inicial na campanha eleitoral e reafirmar sua candidatura à reeleição neste sábado (7) em Salvador, quando participa da celebração dos 46 anos do PT.


O evento servirá para o presidente marcar posição, mobilizar a militância e indicar as diretrizes da campanha, que incluem a defesa do legado das gestões petistas, a comparação com os adversários e pautas como o fim da escala 6x1.


A aposta é um discurso ideológico para enfrentar a direita bolsonarista. O PT vai se reafirmar como partido que "nasceu antissistema", contra as desigualdades e contra os privilégios.


O PT vai para a campanha deixando as turbulências institucionais sob Jair Bolsonaro (PL) em segundo plano, com o lema "a democracia venceu, rumo ao tetra".


Ao contrário de 2022, quando a campanha girou em torno do combate a Bolsonaro, o entendimento é que eleição atual será um plebiscito sobre os quatro anos do governo Lula.


Dessa forma, o PT vai buscar demarcar seu território no campo ideológico e defender o legado da gestão, impulsionando sobretudo novas marcas como os programas Pé-de-meia, Gás do Povo, Desenrola, além da flexibilização das regras para a Carteira Nacional de Habilitação.


A visão no partido é que setores específicos da sociedade serão determinantes no resultado das eleições, incluindo os trabalhadores precarizados, os jovens, os pequenos empreendedores e os eleitores que oscilam politicamente.


Em palestra a militantes e dirigentes petistas em Salvador na quinta-feira (5), o marqueteiro Otávio Antunes indicou que a campanha terá um forte componente de luta política e que não bastará repetir números de feitos alcançados pelo governo.


O caminho será se contrapor à direita, apontada como defensora das elites e dos privilégios, e buscar desnudar o discurso antissistema do bolsonarismo.


"Nós fomos, na nossa origem, o partido que enfrentou o sistema. E o sistema não são as instituições democráticas, como um pedaço da extrema direita aponta. O sistema são aqueles que querem sempre tomar um pedaço do Estado para si, que não permitem que os mais pobres prosperem", afirmou.


A resolução política do Diretório Nacional, aprovada após o encontro em Salvador, define o PT como um partido "guiado pelo compromisso de lutar contra um sistema que permite que milhões de pessoas passem fome para que poucos sejam bilionários, que mata jovens pobres e pretos nas periferias e fecha os olhos para os bilhões movimentados por crimes financeiros."


O partido vai apostar em pautas como o fim da escala 6x1, a tarifa zero no transporte público e a taxação dos super-ricos.


"A gente vai deixar o governismo de lado, no sentido de apenas apresentar as coisas que o governo fez. Vamos falar de coisas que mexem com o imaginário coletivo, lutar contra os privilégios e contra os poderosos que nunca enfrentaram a Justiça", diz o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares.


A crise envolvendo o Banco Master também está no radar do partido, que vai definir uma estratégia de comunicação para reafirmar que Lula defende as investigações e que a liquidação do banco aconteceu na gestão petista.


Na quinta-feira, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu que o partido apoie a abertura da CPI do Master.


"O que aconteceu no Banco Master precisa ser investigado e os responsáveis precisam ser penalizados. Se isso atinge a esfera política, se você tem lideranças que tiraram proveito de fraudes, elas têm que ser responsabilizadas", afirmou.


Lula desembarcou nesta sexta-feira (6) em Salvador para cumprir uma agenda institucional do governo e na sequência faz uma visita ao Santuário de Santa Dulce dos Pobres.


Neste sábado, o presidente participa do evento que vai celebrar os 46 anos do PT. A festa acontece no Trapiche Barnabé e será encerrada com uma apresentação do Cortejo Afro.


Aliados tem evitado tratar o evento como um lançamento da pré-campanha. A avaliação é que Lula deve priorizar as ações de governo e inaugurações até meados do ano.


A Bahia foi escolhida para sediar o evento como forma de reafirmar a importância eleitoral do estado, que deu uma frente de quatro milhões de votos a Lula na disputa contra Bolsonaro em 2022.


Assim, Lula inicia o seu périplo pré-eleitoral pelo Nordeste, região onde o PT tem quatro governadores, mas enfrenta desgastes nas gestões locais em temas como a segurança pública.


O PT também enfrenta turbulências na região campo político. Na Bahia, o governador petista Jerônimo Rodrigues também vive uma crise em sua base aliada que ganhou corpo com o rompimento do senador Angelo Coronel, que anunciou que vai se desfiliar do PSD e se aproxima da oposição.


O cenário é parecido no Ceará, onde a segurança pública se tornou o principal motor da disputa política, que pode ter o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) como adversário do governador Elmano de Freitas (PT).


No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra planeja renunciar para concorrer ao Senado, mas não tem o apoio de seu vice nem maioria na Assembleia em uma provável eleição indireta.


No partido, a avaliação é que voto de gratidão, que embalou votação do PT nas últimas eleições, pode não ser suficiente para garantir uma margem ampla de votos.


"Gratidão não é valor universal em eleição. Esse cheque de que criamos o Bolsa Família, que o filho do pobre na está universidade, nós descontamos um monte de vezes. Mas só isso não dá mais voto. Só a gratidão não organiza, é importante organizar isso a partir da luta política", afirmou Otávio Antunes.


Fonte: Política Livre 

Foto: Reprodução 

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