Fim da escala 6x1 vira tema central da estratégia de reeleição de Lula, aponta jornal francês
Enquanto no Brasil a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre redução da jornada de trabalho começou a tramitar na Câmara dos Deputados, o jornal francês Les Echos desta quarta-feira (25) traz uma matéria sobre o fim da escala 6x1 no Brasil. O texto diz que a proposta é "ponto central da agenda social e da campanha de reeleição do presidente Lula".
A reportagem do Les Echos informa que diferentes projetos já circulam no Congresso brasileiro propondo a redução da atual jornada de 44 horas semanais para 40 horas, ou até 36 horas.
Segundo o jornal, no entorno do presidente brasileiro há consenso de que "a reforma deve ser aprovada antes das eleições de outubro", quando Lula pretende disputar um quarto mandato.
Lula antes de sua primeira eleição presidencial, há mais de 20 anos, mas encontra resistência do setor empresarial, salienta Les Echos. A Fiesp, a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, afirma que a redução da jornada prejudica a flexibilidade necessária à competitividade internacional. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, teme ainda pressões inflacionárias.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ligado ao governo, estima que o custo do trabalho pode aumentar entre 1% e 7,8%, dependendo do setor, mas o impacto social positivo representa uma grande vantagem. O IPEA argumenta que a medida "reduziria as desigualdades no mercado formal", já que jornadas mais longas são comuns justamente entre trabalhadores de baixa renda e alta rotatividade.
A reportagem afirma que a opinião pública brasileira é amplamente favorável ao fim da escala 6x1. O governo Lula, que já isentou do imposto de renda os trabalhadores que ganham até R$ 5.000 por mês, espera tirar proveito eleitoral desses benefícios sociais, reforça o correspondente do Les Echos.
Analistas, porém, apontam desafios, como a baixa produtividade histórica do país, e o risco de efeitos indesejados, já que o desemprego está relativamente baixo. Com menos horas formais, alguns trabalhadores poderiam acumular empregos informais.
Um francês que tem longa experiência no mercado brasileiro, ouvido pelo jornal, diz que a proposta "nem sequer é uma boa política de esquerda; o ideal seria aumentar o valor horário do salário mínimo".
Fonte: Terra
Foto: Reprodução

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